Escolas militares: domesticação de crianças a favor do capitalismo e do Estado

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Se os Colégios Militares não são uma novidade histórica no Brasil, o mesmo não se pode falar das escolas militarizadas, a nova modinha dos governadores estaduais. Sob o pretexto de melhorar a qualidade do ensino e resolver a (in)segurança escolar, as secretarias estaduais de educação têm entregue escolas públicas às polícias militares e ampliado programas educativos das PMs voltados a crianças e adolescentes. No Piauí, a estreita relação entre a secretária de educação Rejane Dias e a Polícia Militar rendeu, no ano de 2015, a implantação de duas escolas militares em Teresina. A meta da secretária é ter, pelo menos, uma escola desta natureza em cada região da capital. As escolas são administradas por militares e impõem aos alunos parâmetros organizacionais, morais e disciplinares rígidos e verticalizados.

O discurso oficial argumenta que as escolas militares são as melhores colocadas no ranking do MEC, ou seja, produzem bom resultados estatísticos, e que não registram problemas de violência escolar, ou seja, produzem bons resultados disciplinares. São escolas de orientação tecnicista e de disciplina rígida que tem como principal objetivo adaptar as pessoas ao sistema de exploração capitalista. Sob o véu da cidadania, ensinam os valores moralistas tradicionais, como amar a pátria, a igreja, e a família patriarcal, promovendo a homogeneização das diferenças e a padronização dos comportamentos. É uma educação que, por questão de princípio, só ensina a obedecer. Uma educação autoritária ao invés de libertadora (ou libertária). Domesticadora ao invés de subversiva. Conservadora ao invés de transformadora. Disciplinas como história e geografia perdem sua criticidade e disciplinas que estimulam o senso crítico, como filosofia e sociologia, são consideradas inúteis e relegadas a um plano subalterno. Discussões sobre gênero, raça, política, sexualidade são combatidas como males ideológicos em favor de temas que melhor conformam a juventude disciplinada, como civismo.

Outra ação que têm ganho destaque na gestão da secretaria Rejane Dias é a ampliação do Pelotão Mirim do RONE, existente desde 2010. Recentemente, o Major Ronald de Moura, diretor administrativo da SEDUC, afirmou que a militarização é uma alternativa para a juventude. No momento em que o país inteiro debate justamente a necessidade de desmilitarizar as polícias estaduais, uma das mais letais do mundo, com índices superiores a zonas de guerra, o Major propõe que se ofereça a juventude da periferia uma estrutura violenta e corporativa como alternativa de vida. Confunde-se reprimir com educar. Ao invés de oferecer às crianças e adolescentes possibilidades educacionais em sentido amplo, bem como melhorias concretas das condições de vida e trabalho, opta-se por construir pelotões de obedientes.

Frente de Educação da OAZ (em construção)