Contra o aumento 2016: movimento de resistência por um transporte público livre

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Foto: Igor Prado – Contra o Aumento 2011

Chega o fim de ano, toda classe trabalhadora está desgastada com discorrer do ano, tenta ao menos, festejar envolta em sentimentos de várias origens (inclusive capitalista), mas busca renovar suas energias para tentar uma vida melhor, através do labor de sua força de trabalho no ano que virá. Nesse bojo que Estado e Capital faz um pouco mais das suas, tomando e ‘legalizando’ atos que, colocados na prática, são verdadeiros ataques às condições de trabalhadoras e trabalhadores, além de já estarem guarnecidos contra qualquer força que possa, em pouco tempo, minimamente se organizar.

Fica evidente nos exemplos do aumento da passagem de ônibus em Aracaju (na época do Natal), já ocorreu por várias vezes em Teresina, na virada do ano, e, mais uma vez, o quadro que se desenha é para que se aconteça mais um aumento na calada da noite. A Prefeitura de Teresina juntamente com o SETUT, manobram um aumento de R$ 2,50 para R$ 2,83. E sabemos que esse aumento passará.

A esquerda organizada, certamente se colocará como resistência ao ato da prefeitura, mas já começamos tardiamente a organização. A construção das pautas da classe trabalhadora deve ser a todo instante energizada, especificadamente num ponto, quando a conjuntura demonstrar a necessidade, mas sem deixar as outras pautas em segundo plano. Começamos falhando numa possível organização de resistência ao aumento da passagem. Falharemos mais ainda se concentrarmos as forças na estruturação de alguma entidade ou espaço burocrático, que visa, entre seus objetivos, participar de acordões na bancada dos poderosos, lugar a ser desestabilizado e não local de debate, de construção de acordos.

Primeiramente porque nunca será de interesse do Estado e do Capital atender às demandas da classe trabalhadora, embora temos sim que pressionar mais e mais por pautas que tratam de direitos (ao mesmo tempo que provocamos e construirmos outras formas de organização); em segundo lugar, porque uma comissão nunca conseguirá atender em representatividade, nem na realidade específica de determinadas trabalhadoras e trabalhadores em relação ao transporte (e em tantas outras pautas). A iniciativa de setores da esquerda organizada acaba por perder sua capacidade de resistência logo no início.

O que fazer então diante desta situação? Como dissemos, falhamos neste possível aumento, mas podemos começar a nos articular de maneira mais enfática a partir de agora. Trabalhadoras e trabalhadores é quem sabem do que sofrem diariamente com atraso de condução, péssimas condições de ônibus, que não possuem a devida adaptação ao clima da região; sofrem com um orçamento estourado para poder se deslocar, sofre com falta de ônibus próximo ou relativamente próximo ao seu domicílio, sofre com um modelo de integração que não contempla a realidade da cidade, ainda tem o transporte interestadual, que não é contemplado pela integração com o argumento de que é interestadual, mas sempre que há reajuste, sofrem o aumento também. O sistema não se importa. Ele quer gerar lucro. E ao contrário do que choram nas mídias hegemônicas, o transporte urbano de Teresina gera lucro exorbitantes para os empresários do ramo. Chega de sustentarmos a iniciativa privada e o Estado. Nós é que devemos ser agentes de organização do nosso sistema de mobilidade, para que ele possa atingir e alcançar à todas e todos, de forma responsável e organizada.

É hora de aproveitemos o momento que se apresenta para irmos às ruas sim, dialogarmos com as pessoas, mostrarmos que não aceitamos as manobras da prefeitura ao tentar barrar o movimento que pretende ocupar as ruas com seus protestos e insatisfações, não adianta congelar passagem para xs estudantes, enquanto trabalhadores e trabalhadoras estão sofrendo com o preço da condução, que não condiz com a realidade local e um transporte totalmente precarizado; não aceitamos mais o mito da infalibilidade da planilha de custo da STRANS. Agora é o momento para chamarmos a todas e todos para participar do seio da luta; que nesse processo de construção do contra aumento 2016, nós organizemos fóruns livres e abertos com objetivos a curto, médio e longo prazo, sem acordão que nos oprime, com total poder à classe trabalhadora. E esse é um chamado para trabalhadores e trabalhadores ocuparem as ruas, levarem suas reivindicações e buscar não só a redução da passagem, mas à luta por um transporte público de qualidade e livre.

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Comunicado OAZ sobre os 7 anos da ORL

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É com muita alegria e acreditando que o caminho para transformação radical da sociedade se dê com a força e firmeza do trabalho socialista organizado, que nós da Organização Anarquista Zabelê, saudamos os 7 anos de luta da Organização Resistência Libertária – ORL.

Temos uma relação fraterna com a ORL construída desde 2014, quando compas de nossa Organização construíam o Geapi (Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí, atual espaço aberto da OAZ para estudos anarquistas), principalmente da realização dos Primeiro e Segundo Congressos Anarquista do Piauí – CONAPI. Nossas e nossos compas da ORL sempre se colocaram como apoio para o fortalecimento do Anarquismo Organizado no Piauí, contribuindo com acúmulos nas discussões, materiais para estudo, tempo e dedicação ética para com nossas atividades.

Este intenso contato também nos deu condições de conhecer as ações desenvolvidas pela ORL, o que nos dá elementos para saudar esta data, não somente pela passagem de mais um ano de existência, mas sim por observarmos o comprometimento e trabalho para mudanças de comunidades da cidade de Fortaleza, trabalhos esses pautados sempre na autogestão, autonomia dos povos e transversalização do combate às opressões em todas as linhas das ações da Organização.

Por isso, compreendemos o quanto essa comemoração é importante e significativa para a experiência do anarquismo no Ceará.  A caminhada em direção à liberdade continua, que venham mais anos de luta, que através da ORL o anarquismo venha crescer em terras cearenses  e que a construção do poder popular se fortaleça e consiga provocar as fissuras necessárias para derrocada do Estado e do capitalismo.

Avante compas! Viva o Anarquismo! Não nos retiremos da luta!

Uma defesa ao PT ou a formulação de uma nova política?

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A aceitação do pedido de impeachment de Dilma Roussef pelo Eduardo Cunha, alvoroçou diversos espaços de discussão, sobre a possibilidade de considerar tal fato, como pretenso golpe organizado pela direita. Debates que ressoaram também nos setores reformistas e nos revolucionários. Obviamente, que de formas bem distintas.

Desde as eleições de 2014, problematizando a frase do anarquista Wayne Price (firmeza nos princípios, flexibilidade nas táticas), dentro dos espaços anarquistas, muito se viu de falta de firmeza nos princípios libertários/revolucionários e fluidez nas táticas. Fato evidenciado nos chamados votos críticos a Dilma em detrimento do projeto de direita apresentado pelo PSDB.

Passado quase um ano, onde observou-se (constatou-se) os mesmos acordos, os mesmos grupos negociando fatias de poder, onde mais uma vez o aparato do Estado enlaçado com o Capital não demonstrou nada de novo para os anarquistas organizados, eis que como uma cereja de um bolo tosco e mal feito, surge a problemática do impeachment. Ora, que caiam todos, poderíamos simplesmente dizer.

Há nessa conjuntura uma crise programática, de projeto, no Brasil. Os maiores movimentos de massas brasileiros têm uma dependência ao antigo projeto democrático popular que norteou o surgimento do PT e que embasa de forma direta ou não toda a esquerda reformista. O projeto democrático popular acredita que uma união de setores considerados “progressistas” de esquerda ao chegarem ao poder irão promover estatizações, reformas amplas (como agrária, urbana, na educação e na saúde) e ampliar princípios democráticos.

Mas na verdade vemos o que o PT para tentar pôr em prática seu programa político se aliou a direita e na verdade conseguiu pôr em prática um neoliberalismo dos mais sujos com políticas privatistas, redução dos direitos trabalhistas, incentivo ao genocídio de povos tradicionais e populações negras e pobres (não esqueçamos das UPPS), além de escândalos de corrupção e tantas outras patifarias.

Não diferente por migalhas ou as vezes nem por migalhas, mas por interesses políticos e privilégios, movimentos sociais ou melhor seus dirigentes, burocratizaram ainda mais as estruturas de luta, dificultando a articulação de lutas contra o estado e contra o capitalismo, como aparelhou-as como escudo de defesa dos interesses da elite (como fez a UNE, MST, CUT, movimentos de negros e negras e de mulheres por exemplo), o PT usou da velha desculpa de um projeto social democrata e traiu o povo. O pior de tudo é que outros setores da esquerda (reformistas, claro) continuam a utilizar discursos sociais-democratas para criarem uma nova forma de fazer política, como se fosse algo revolucionário como vemos setores do próprio governismo como a CONSULTA e outros “governistas críticos” como PSOL.

Esta realidade não possui nem um resquício embrionário do fogo da revolução. Porque não é num Congresso Encastelado que se faz a revolução; não é através do impeachment que perceberemos as barricadas se erguendo nas ruas. A nossa tarefa sempre foi construir as lutas de baixo pra cima e da periferia ao centro. Nenhum interesse, nenhum fractal de realidade das pessoas das quebradas, trabalhadoras e trabalhadores da cidade e do campo, “minorias” invisibilizadas se transformará por conta de tal fato.

Nós, anarquistas, devemos estar em plena ação com os movimentos sociais; e todas aqueles que se reivindicam revolucionários, deveriam também aprender com as lições trazidas da organização de estudantes em São Paulo; com Rojava, Chiapas e tantas outras experiências que dão exemplos nítidos de por onde podemos trilhar caminhos para transformação radical da sociedade. E como já dito, ela não se dará pelas vias da democracia representativa. Nunca será interesse de Estado algum, menos ainda do capital, que possamos alcançar a sociedade circular e horizontal, livre de opressão do homem pelo homem que tanto queremos.

Não vamos então adentrar na discussão sobre vai ter ou não vai ter golpe ou validade ou não validade de impeachment. Vamos mergulhar por completo na tarefa orgânica, com disciplina e responsabilidade, de provocar fissuras efetivas no Estado e começar de vez a construir o nosso futuro desejado. A briga entre os senhores nada mudará a realidade das oprimidas e oprimidos. Somente o poder distribuído entre todas e todos será capaz de provocar mudanças profundas na sociedade atual, pela ação direta, pelo federalismo e auto gestão.

Numa realidade e perspectiva para um futuro e para uma nova sociedade, há uma necessidade de ruptura com qualquer política ou pensamento governista e/ou pára-governista (grupos que não são governistas declarados, mas almejam estar no lugar do governismo), há uma necessidade de aproximação (que apesar das discordâncias, o momento pede união na perspectiva revolucionária, com responsabilidade) dos grupos marxistas (de diferentes vertentes que visem revolução social e não reformismos) como grupos anarquistas (bakuninistas e especifistas) para ampliarmos lutas conjuntas e solidificarmos um real programa político que a população desta nação acredite.

Viva o anarquismo!
Viva a revolução social!

 

Organização Anarquista Zabelê