08 de Março: às que foram, às que continuam,às que virão.

8 de março

Inicia-se mais um 8 de março e acordamos com um gosto amargo na boca. Entendemos a importância simbólica do dia, mas sabemos que hoje é um dia combativo como os outros, não temos o que comemorar, principalmente nós, mulheres da classe trabalhadora, LGBT, pretas e de periferia, que sofremos triplamente, somos exploradas pelo capitalismo, oprimidas pelo machismo e mortas pelo racismo. Estamos passando por uma série de ataques aos nossos direitos, mergulhadas em uma crise econômica que provoca o encarecimento da cesta básica, aumento na energia, desemprego, terceirização, fechamento das escolas públicas e mais uma vez nos entregando a marginalidade, extermínio da juventude negra, crescimento de 54% na morte de mulheres negras no Brasil, nossos corpos entregues as leis da igreja e do estado, tal estado que legitima nossa morte, nossa vida precária.

Mas nós mulheres classistas, que negamos o estado opressor, machista e racista, saímos do anonimato pra reivindicar, contrariando as estáticas que nos mata, tomamos o fronte guerreando contra a tripla opressão e mostrando para nossas companheiras que nosso lugar é na luta, no fronte, na guerra, no feminismo classista, derrubando o estado, o capital, racismo, machismo e LBTfobia. Nosso 8 de março vai ser na rua, na luta, na periferia, incitando o e fortalecendo o feminismo classista.

Salve as mulheres classistas!

Salve as mulheres pobres e de periferia!

Salve as mulheres anarquistas!

 

Mulheres da Organização Anarquista Zabelê

 

1º Comunicado da Frente de Combate às Opressões da OAZ

23470496

O sistema capitalista, suas organizações e constructos sociais têm sistematicamente e historicamente colaborado para manutenção do modelo de exploração do homem pelo homem em todos os âmbitos.

Não diferem dessa lógica, as ditas “opressões de minoria”, um termo que não contempla a realidade dos grupos que busca representar, uma vez que o todo, na verdade é maioria (e em sua maioria, é a própria classe trabalhadora). Tendo em vista a construção social das estruturas de opressão que existem na sociedade, sabemos o quanto a reprodução desses discursos atende a vontade dos senhores, separando a classe trabalhadora, seja quando não há um debate de desconstrução entre nossos pares ou quando mesmo sabendo dos problemas estruturais de opressão, não tomamos as devidas providências para problematização e tomada de consciência de privilégios e desconstruções. Por vezes, dentro das próprias lutas, há a secundarização ou até mesmo o silenciamentos das pautas de opressão.

Isso é prejudicial para classe trabalhadora, pois se estamos na busca de outra sociedade, precisamos entender todas as estruturas de opressão da sociedade atual (e a forma como elas agem nos indivíduos) para traçar estratégias na luta diária pela desconstrução.

Nós da Organização Anarquista Zabelê, repudiamos todo e qualquer ato de opressão de gênero, racismo e lgbtfobia. Acreditamos que tais pautas precisam ser debatidas em todos os espaços e desconstruídas para caminharmos com mais força, coletivo e horizontalmente, para a transformação radical da sociedade. Não negamos que em algum momento podemos falhar, mas não nos retiramos dessa caminhada de desconstrução e destruição de privilégios e continuaremos firmes para romper com essas estruturas.

Contra toda forma de opressão!

Frente de Combate às Opressões da Organização Anarquista Zabelê – OAZ